Ensino Híbrido

Por Gilda Rodrigues / 

O ensino híbrido é uma abordagem pedagógica que articula instruções face a face com atividades desenvolvidas por meio do uso das tecnologias digitais de informação e comunicação.

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O termo ensino híbrido passa a ser um conceito-chave para a educação hoje em dia, em especial, na modalidade de ensino remoto, que possibilitou à escola se tornar um ecossistema mais aberto e criativo. 

Moran (2015) vai dizer que o termo, numa perspectiva mais ampla, significa  mesclado,  misturado. Esse aspecto está muito relacionado com o que a educação sempre foi: combinação de vários espaços, tempos, atividades, metodologias e públicos. Podemos ensinar e aprender de inúmeras formas, em todos os momentos, em múltiplos espaços.

Em um âmbito mais específico, segundo Moran, o termo se refere a uma série de estratégias pedagógicas voltadas para a promoção do desenvolvimento dos estudantes de maneira individualizada, respeitando as limitações e os talentos de cada um. É preciso levar em consideração que os alunos aprendem de formas e em ritmos diferentes, já que também são diversos seus conhecimentos prévios, competências e interesses.

Há, nessa abordagem, o princípio da personalização do ensino que, inclusive, está em pauta em diversos documentos parametrizadores da educação, a exemplo da nova Base Nacional Comum Curricular.

Nesse momento, que se vislumbra a volta às aulas, a combinação do ensino híbrido com metodologias em modelos flexíveis, parcialmente presencial e parcialmente on-line, será o caminho a seguir.

Mesmo depois, quando essa pandemia passar, a combinação do ensino híbrido com metodologias em espaços presenciais será uma realidade, porque é uma demanda dessa nova sociedade.

Algumas estratégias didáticas já se apresentam como possibilidades.

Para o ensino remoto que estamos vivendo, um boa parte dos professores têm usado a integração de atividades assíncronas e síncronas. Nesse caso, o assíncrono de alguns será o uso da tecnologias, de plataformas;  para outros, é o próprio material físico que chega até o aluno e este se envolve na realização de atividades que podem ser enviadas para o professor; até pelo whatsapp, como tem acontecido com muitas escolas. 

E os momentos síncronos, que significam ao mesmo tempo, têm acontecido por plataformas como Google Meet, Zoom, entre outras, que são momentos de discussão, de tirar dúvidas, de problematizar as questões já vistas pelos alunos nas atividades assíncronas.

Esse cenário, apesar de todas as limitações e desafios, coloca-nos também em perspectiva: está sendo possível pensar em outras possibilidades promissoras para a educação. 

O professor José Moran, em várias de suas intervenções, tem apresentado um modelo básico de ensino híbrido que se constitui de: aula invertida + desafio + compartilhamento + avaliação. Esse percurso é compreendido em três fases:


ANTES DA AULA

Na aprendizagem híbrida, partiria do modelo chamado de SALA DE AULA INVERTIDA: o professor prepara ou seleciona o conteúdo em videoaulas, textos em pds [a]e disponibiliza parte ou todo o conteúdo em ambientes virtuais, a exemplo do  Google Classroom, que tem sido uma das plataformas que mais se popularizou nesse momento. O objetivo aqui é concentrar, no virtual, o que é informação básica.

O  aluno, por sua vez, acessa em casa ou de qualquer outro lugar, no seu próprio ritmo, responde a atividade, faz perguntas, anotações. Esse é o modelo clássico dentro da aprendizagem híbrida.

Mas, veja que  a concepção ampliada de ensino híbrido que estamos mostrando aqui prevê  a aula invertida também nos momentos síncronos. Algumas ferramentas digitais possibilitam o trabalho em equipe em tempo real. O próprio Google Meet agora já disponibiliza ferramentas para o professor criar salas para trabalhos em grupo. Os alunos podem encontrar-se em grupos nessas salas para realizar trabalhos, podem ter a assistência do professor e, no final, todos podem socializar a atividade, retornando à plataforma principal do encontro.

A aula invertida, nessa concepção, pode ser feita em casa, na escola e on-line.


DURANTE A AULA

Na sala de aula, o professor retoma o conteúdo, esclarece dúvidas, prepara outras tarefas ou trabalhos em grupos ou individuais, nos quais se concentrará na profundidade e aplicação de conceitos para ensinar habilidades de pensamento de ordem superior, deixando para a sala de aula as atividades criativas e supervisionadas. Uma combinação de aprendizagem por desafios, projetos, problemas reais e, até mesmo, usando a linguagem dos jogos.

Então, esses desafios na sala de aula podem ser individuais ou em grupos, com uso de ferramentas digitais ou não. Diversas metodologias ativas podem fazer parte desse momento, como a Aprendizagem Baseada em Projetos.

Na aprendizagem Baseada em Projetos, as experimentações concretas ou atividades mão na massa têm um grande efeito sobre o engajamento dos alunos. Geralmente, são projetos multidisciplinares, mas podem ser também interdisciplinares, e ajudam os alunos a compreenderem conceitos mais complexos ou abstratos, permitindo o desenvolvimento de uma série de outras competências, como liderança, criatividade, capacidade de resolver problemas e trabalhar em grupo. Frequentemente, buscam resolver problemas da vida real, conferindo sentido ao que se aprende. 

Nesse momento, os alunos assumem um papel mais ativo, produzindo vídeos, áudios, escrevendo, contando histórias e fazendo simulações. São muitas estratégias que possibilitam uma aprendizagem mais envolvente e engajadora.

Ao final do desenvolvimento desse desafio, que foi acompanhado e tutorado pelo professor, chega o momento do compartilhamento, que pode ser em um espaço físico ou digital. Pesquisas mostram que os alunos veem mais sentido no envolvimento de uma atividade que poderá ser vista por outros, que não apenas os próprios colegas e professores.



DEPOIS DA AULA

Por fim, é preciso criar uma forma de avaliação. Podem ser usadas ferramentas digitais ou não. Avaliação individual, avaliação coletiva, autoavaliação, observações, e-portfólios, etc. Mas entendendo essa avaliação como um processo contínuo, que ocorre em função dos ajustes que precisam ser tomados, no meio do caminho, para que ninguém fique para trás. 



A ideia é aprender, de forma personalizada, ativa, ampliando, redesenhando as melhores combinações possíveis para oferecer as melhores experiências de aprendizagem para os alunos. O professor Moram tem dito e concordo com ele fortemente, que o que hoje está em jogo é como desenhar, para cada etapa de aprendizagem, as melhores experiências para os alunos. Isso ainda está em construção, estamos todos aprendendo, especialmente na educação básica.



Referência:

MORAN, J. Educação Híbrida – um conceito-chave para a educação, hoje. In.: BACICH, L.; TANZI NETO, A.; TREVISANI, F. M. Ensino Híbrido – personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. p.27-46.

MORAN, J. http://www2.eca.usp.br/moran/

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