TEORIA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA (TAS): UM DIÁLOGO NECESSÁRIO NO ENSINO MÉDIO

 Drª Tânia M. Mares Figueiredo/


Não é novidade dizer que a NOSSA ESCOLA mudou... E mudou mesmo!

Neste momento pandêmico, nossa ESCOLA sofreu mudanças profundas, tanto na sua materialidade no tempo/espaço e nas relações ensino/aprendizagem, como na representação que esta tem, HOJE, para estudantes, docentes, gestores e comunidade.

Você lembra que as aulas eram presenciais, planejadas e dominadas por nós? Sabíamos que era permitido usar determinada porcentagem da carga horária em EAD, mas poucos docentes usaram. Por que é muito bom estar na sala de aula com nossos alunos, diretamente com eles. Até porque, a inquietude e o rostinho de alguns denunciavam que eles não tinham entendido nada ou, simplesmente, não estavam interessados.  E, por vezes, nós, docentes, cada um do seu jeito, procurávamos incentivar ou criar um novo jeito de ensinar. Tenho certeza que, na maioria das situações, deu certo... o estudante APRENDEU.  Mas, ainda que a maioria dos estudantes apresentasse um bom desempenho na aprendizagem, estes não aprenderam da mesma forma e no mesmo tempo. E ainda tivemos estudantes que não conseguiam aprender, ficando, assim, à margem do processo ensino-aprendizagem. Então, mais uma vez, algumas perguntas e comentários seculares surgiram em nossas cabeças ou ouvimos nos encontros pedagógicos:


Em março de 2020, veio a pandemia do COVID-19, fechamos a sala de aula convencional e, abruptamente, saímos do “relativo” conforto didático das AULAS PRESENCIAIS para o desconhecido (para a maioria dos docentes) “mundo didático-pedagógico” das AULAS NÃO PRESENCIAIS, que chamados de ANPs.
 A sala de aula é o termômetro da escola; se ela mudou, a escola, certamente, modificou-se e, sem passar por um período de transição, de preparação ou adaptação. Começamos a adentrar neste novo mundo didático-pedagógico, com antigas necessidades para novas possibilidades de ensino e aprendizagem, com as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs). Então, à medida que fomos ministrando aulas “Não Presenciais”, veio à tona a antiga necessidade de COMPREENDER COMO A APRENDIZAGEM OCORRE e, com ela, uma nova pergunta: Como usar as TICs  para a  APRENDIZAGEM dos estudantes?

Hoje, mais do que antes, é fundamental compreendermos como ocorre o processo de aprendizagem, principalmente, com o uso das TICs, uma vez que o território do ensino alargou-se, sem necessariamente, ampliar e ressignificar as aprendizagens do estudante; aprendizagens que têm substância cognitiva ou empírica.

Se hoje perguntássemos: “Como o aluno aprende?”, teríamos pelo menos três correntes de Teorias de Aprendizagem para responder essa pergunta: uma teoria psicomotora, outra afetiva e a cognitiva. Essas teorias estão na literatura há algum tempo e também são estudadas, superficialmente, na maioria dos cursos de licenciatura.  E, certamente, pouco ou nada há de discussão em nossas escolas. Mesmo que, do século XIX ao século XXI, muito já foi estudado acerca do processo de aprendizagem e tipos de aprendizagens que poderiam ajudar em nossa prática.  As escolas de ENSINO MÉDIO têm sérios problemas no processo de ensino-aprendizagem, mas pouco conhecem das Teorias de aprendizagens. Interessante isso, não? Por vezes, muitos docentes já aplicam parte de uma teoria sem, contudo, conhecê-la aprofundadamente o que contribui para o insucesso da aprendizagem dos estudantes. É importante buscarmos entender onde está a resistência de nós, docentes do Ensino Médio, conhecermos, compreendermos e aplicarmos as teorias da aprendizagem em nossas turmas.

Ao longo de décadas, criou-se, no imaginário docente, que escola de Ensino Médio perde tempo em discutir e, até mesmo, entender a teorias de aprendizagens, pois estas apenas respondem às questões de ensino e aprendizagem das escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Fatal engano didático-pedagógico, pois, se queremos entender sobre o ato de aprender e como mediar as aprendizagens, torna-se urgente, discutir sobre as TEORIAS de APRENDIZAGENS e quem sabe, “beber um pouco” na fonte da Teoria da Aprendizagem Significativa – TAS,

A aprendizagem significativa foi uma teoria construída na década de 1960 pelo psiquiatra David Ausubel, a qual afirma que o que influencia a aprendizagem é o que o indivíduo já sabe. Desta forma, conceitua-se a aprendizagem significativa como um processo no qual o aprendiz relaciona a nova informação a uma outra pré existente (denominada subsunçor) de forma não literal e não arbitrária, para que ocorra uma interação entre o novo saber e o pré-existente, facilitando a estabilidade cognitiva e consequente aprendizado (Pelizzari, 2002)

A discussão sobre a Teoria da Aprendizagem Significativa nos dará a clareza de que tipo de aprendizagem estamos possibilitando, ou melhor,  mediando.  Em seus estudos, Ausubel define dois tipos de aprendizagem: a mecânica e a significante ou significativa. A aprendizagem mecânica é aquela que ocorre com um espanto, ou seja, ela não dialoga com os conceitos ali ensinados pois estes não têm raízes de relação com os conhecimentos que os alunos já trazem. Assim, da mesma forma que essa aprendizagem chega, ela também vai embora, ficando apenas por um espaço de tempo pequeno já que o aluno não vê significado em mantê-la e, consequentemente, a mente a espele.  Por sua vez, a aprendizagem significativa é livre e ocorre quando as ideias e conhecimentos apresentados pelos professores interagem de maneira substantiva àquilo que aprendente já sabe. Dessa forma, a estrutura cognitiva do aprendente possui âncoras (subjuntores) que servem de ponte para os novos conhecimentos. A aprendizagem se dá quando o ensinado tem território fértil na cognição do aprendente de forma livre e substantiva alicerçando para a produção de novos conhecimentos. para ser conduzido a um novo conhecimento. (AUSUBEL, 1963)

“É importante reiterar que a aprendizagem significativa se caracteriza pela interação entre conhecimentos prévios e conhecimentos novos, e que essa interação é não literal e não arbitrária. Nesse processo, os novos conhecimentos adquirem significado para o sujeito e os conhecimentos prévios adquirem novos significados ou maior estabilidade cognitiva.” (MOREIRA, 2010)

Aplicar a Teoria da Aprendizagem Significativa em nossas aulas pressupõe redimensionar a relação ensino-aprendizagem. Deve-se evitar ensinar pelo mundo desconhecido para o aluno pois, como dizia AUSUBEL (1963) se conhece mais quem conhece alguma coisa. Isto é, se queremos que os nossos estudantes não tenham apenas uma aprendizagem mecânica, teremos que saber o que eles sabem sobre a s coisa, sobre o que vamos ensinar, sobre o mundo

 Vale lembrar que o estudante do Ensino Médio tem conhecimentos prévios escolares e populares, teóricos e empíricos e porque não utilizá-los como âncoras para os novos conhecimentos a serem ensinados por nós? Se assim feito, já estaremos aplicando uma das teorias cognitivas mais discutidas atualmente - a Teoria da Aprendizagem Significativa, de David Ausubel.

Bibliografia consultada

AUSUBEL, D. (1963). The psychology of meaningful verbal learning. New York: Grune & Stratton.

 

MOREIRA, M. A. Por quê conceitos? Por quê aprendizagem significativa? Por quê atividades colaborativas? Por quê mapas conceituais? ; Universidad de La Laguna. Servicio de Publicaciones, 2010.

 

PELIZZARI, A.; KRIEGL, M. L.; BARON, M. P.; FINCK, N. T. L.; DOROCINSKI, S. I. Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel. Rev. PEC, Curitiba, v. 2, n. 1, p. 37-42, jul. 2001-jul.2002. Disponível em: https://goo.gl/geA25C. Acesso em: 22/01/2021

Comentários

  1. É muito gratificante ler sua exposição, Tânia!

    Sem dúvida, é extremamente necessário que haja mudanças nas metodologias para o ensino Médio. Existe, no senso comum, excessiva preocupação em vencer os conteúdos voltados ao ENEM e, ainda, com muita memorização de regras.

    Sabemos que é necessário um esforço maior entre os professores, no sentido de trocas de experiências e, por que não dizer, humildade para nós aceitarmos que o conhecimento que o outro detém pode nos ser muito útil. A abertura para a "escuta" é um valor necessário na educação.

    Parabéns pela excelente reflexão! Estou sempre pronta para contribuir com os grupos de trabalhos e pesquisas.

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